Cadastro Nacional de Pessoas com Deficiência: quais são suas propostas?

 

Em 2017, foi instituído, no Brasil, o Comitê do Cadastro Nacional de Pessoas com Deficiência, organismo público vinculado ao Ministério da Justiça e Cidadania. Mas você sabe o que isso significa?

De forma simplificada, o Cadastro Nacional de Pessoas com Deficiência tem como finalidade fazer o levantamento e o cadastro de pessoas que tenham algum tipo de deficiência, seja ela física, mental, intelectual ou sensorial.

O objetivo geral é criar instrumentos eficazes na avaliação que abrange aspectos biológicos, psicológicos e sociais da deficiência, além de unificar e manter um registro público e eletrônico de pessoas com deficiência.

Isso significa que o exercício da cidadania para pessoas com deficiência será viabilizado sem que seja preciso apresentar outras provas além das que foram solicitadas no momento da inclusão no cadastro.

Como funcionará o Cadastro Nacional?

O Cadastro Nacional de Inclusão de Pessoas com Deficiência é um registro público eletrônico que permitirá a identificação do cidadão e de sua situação socioeconômica, além das barreiras que o impedem de ter garantidos e realizados os seus direitos.

Representantes de sete Ministérios Federais farão parte do Comitê do Cadastro, assim como representantes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e, também, do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Conade.

Os membros desse Comitê serão responsáveis por criar instrumentos para colocar o Cadastro na ativa, assim como pelo cumprimento de suas propostas e melhorias viáveis.

Qual a necessidade de um Cadastro Nacional de Pessoas com Deficiência?

O Censo realizado em 2010 apontou que, no Brasil, existem 45,6 milhões de pessoas com deficiência, quase 24% da população. Porém, de acordo com o Diretor de Políticas Temáticas dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Moisés Bauer, esse número não condiz com a realidade.

É importante ressaltar que a necessidade desse cadastro vai além dos números. Muito mais do que mapear o exato número de pessoas com deficiência no país, o Cadastro pretende implantar uma avaliação que possibilite a identificação dessas pessoas para eliminar a burocracia relacionada à conquista de benefícios e de inserção no mercado de trabalho, entre outras situações que implicam a dificuldade em conseguir garantir os direitos previstos por lei.

Hoje, ainda são frequentes as situações em que o cidadão precisa submeter-se a exames e laudos médicos para comprovar sua deficiência. Como em muitos casos o sistema público de saúde não consegue atender a demanda, essas pessoas acabam onerando seus gastos em busca da rede privada de saúde.

Com a inclusão no cadastro, a pessoa com deficiência terá uma identificação única que comprove sua deficiência.

O que deverá mudar na identificação da pessoa com deficiência?

Hoje, em média, uma pessoa com deficiência precisa ter até cinco documentos que comprovem sua situação, como, por exemplo: carteira de gratuidade de transporte público, identificação que garante o direito à meia-entrada em atrações culturais, entre outras.

O Cadastro Nacional de Pessoas com Deficiência determinará a unificação dessas identificações, reduzindo a burocracia e aumentando o conhecimento e o acesso aos direitos de acessibilidade.

O Cadastro Nacional de Pessoas com Deficiência acabará com a necessidade de laudo médico?

Ao ser inscrito no Cadastro Nacional, o cidadão pode ser dispensado da obrigatoriedade de apresentar provas adicionais de sua condição para usufruir de seus direitos.

Porém, é válido lembrar que, para se inscrever, é necessário que a pessoa passe por uma avaliação biopsicossocial da deficiência. Esse tipo de avaliação é realizada por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar que identificará aspectos biológicos, psicológicos e sociais da deficiência.

O Cadastro Nacional trará mais visibilidade à pessoa com deficiência?

A unificação da base de dados das pessoas com deficiência no Brasil possibilitará a promoção e a defesa dos direitos desses cidadãos, que passam a ter mais informações e acesso aos seus benefícios quando inscritos no Cadastro.

Essas informações também serão úteis para organizações, empresas públicas e privadas e demais instituições que possam colaborar direta ou indiretamente para a inclusão da pessoa com deficiência e a garantia de seus direitos.

Com o fim da burocracia em diversas demandas, os direitos e os benefícios serão mais difundidos e fáceis de serem respeitados. Os cidadãos com deficiência terão mais acesso a informações, ao conhecimento sobre seus interesses e, com isso, serão capazes de lutar com mais igualdade por seu lugar no mercado de trabalho e na sociedade em geral.

Como o Cadastro poderá colaborar com a inclusão no mercado de trabalho?

O Cadastro Nacional de Pessoas com Deficiência permitirá que governo e as organizações identifiquem obstáculos nas políticas de inclusão no trabalho.

Isso significa que tanto empresas publicas como privadas poderão direcionar iniciativas para aprimorar a formação de profissionais com alguma deficiência, além de identificar soluções para a contratação assertiva desses profissionais.

Quais os desafios para a criação desse Cadastro?

Em agosto deste ano, foi realizada, na Câmara dos Deputados, uma audiência para propor uma discussão referente aos desafios da criação do Cadastro Nacional da Pessoa com Deficiência.

Um dos pontos tratados foi a necessidade de o Cadastro ir além dos dados quantitativos, ou seja, apontar também as dificuldades de cada pessoa, ainda que tenham o mesmo tipo de deficiência.

Além disso, durante a audiência, foi discutida a necessidade de conectar as informações do Cadastro a uma série de banco de dados já existentes. Esse, talvez, seja um dos maiores desafios do projeto, mas já existem estudos e pesquisas que buscam encontrar uma solução para a integração desses dados e informações.

A Constituição de 1988 reconhece os direitos das pessoas com deficiência e, ao passar do tempo, diversas leis foram estabelecidas com objetivo de garantir e ampliar esses direitos e benefícios.

No entanto, como os critérios e procedimentos para comprovar a condição da pessoa com deficiência são adotados de formas distintas por diferentes organizações (tanto públicas como privadas) o Cadastro Nacional surge como uma solução para desburocratizar uma série de situações e dar maiores garantias a esses cidadãos.

Gostou desse conteúdo? Compartilhe essas informações sobre o Cadastro Nacional de Pessoas com Deficiência em suas redes sociais e ajude a divulgar esse avanço na questão dos direitos de acessibilidade no país.

 

Fonte: Blog Freedom

A história de um herói de carne e osso, mas sem pernas

Uma história real, emocionante do começo ao fim, mostra o drama do jovem Jeff Bauman, que perdeu as duas pernas no atentado da Maratona de Boston, em 2013. Na tentativa de reconquistar a namorada que participava da corrida, ele vai esperá-la na linha de chegada, no exato local em que duas bombas são detonadas.

O filme mescla imagens da época, exibidas na TV e jornais, com cenas gravadas no estúdio em Massachusets. O fio condutor é o livro “Stronger”, do próprio Bauman, lançado no Brasil como “O que te faz mais forte”. Depois de sobreviver ao ataque terrorista, o rapaz ajuda na identificação dos autores e se torna, de uma hora para outra, um heroi nacional americano.

O filme é uma bem construída torrente de emoções, contraditórias e incrivelmente verdadeiras. Do próprio Bauman, interpretado pelo excelente Jake Gyllenhaal, da namorada que vai apoiá-lo, Tatiana Maslany, e da sogra problemática Miranda Richardson, que quer manter a ordem familiar invadida pela nora em plena crise. Sem falar dos sentimentos do país, que vê no rapaz um símbolo de resistência aos ataques.

Apesar disso, o Bauman que emerge do filme nada tem dos heróis hollywoodianos. É um homem comum, de carne e osso, cheio de fraquezas e contradições. Um funcionário obscuro de uma empresa de alimentação que precisa aprender a se portar em público como herói, sem ter esta vontade nem estar preparado.

Chama atenção no filme, a competência da direção de David Gordon Green em revelar, de forma aberta, quase íntima, a experiência da amputação. Do abrir os olhos no hospital e descobrir o que aconteceu à volta para casa na cadeira de rodas. Da exaustão na fisioterapia à insegurança dos primeiros passos com próteses.

Com efeitos visuais, truques de câmera e uma montagem competente, Bauman aparece o tempo todo com as pernas cortadas. No esforço em ser fiel aos fatos, o filme inclui momentos de humor, como quedas bizarras que todo amputado sofre e infrações de trânsito quando Bauman tenta voltar a dirigir.

Há espaço ainda para a relação de pessoas reais com um amputado. Relações que variam da indiferença à colaboração sem pedir nada em troca. O que te faz mais forte é um pedaço de um mundo confuso, complexo e contraditório, muito além dos estereótipos dos filmes de heróis.

Por Enio Lucciola

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Serviço:

Filme – O que te faz mais forte

Título original – Stronger

1h59min

Estreia em 50 cinemas nesta quinta, 8 de fevereiro de 2018.

Assista ao trailer oficial aqui: https://youtu.be/_XumpBnmRWQ

 

 

Ilusionista com deficiência mostra que não é com as mãos que se faz mágicas

Mahdi Gilbert, um canadense de 25 anos que está começando a ganhar espaço no mundo dos ilusionistas, é um especialista em manipulação de cartas e truques com as mãos. Só que há um detalhe que o diferencia dos outros.

Mahdi Gilbert tem 25 anos. (Foto: Reprodução)

 

Mahdi é portador de necessidades especiais e não possui as mãos. Por isso, para seguir a carreira de mágico, ele teve que adaptar todas as técnicas que conheceu para sua condição, recriando-as e tornando-as mais interessantes e originais.

“Tive que me tornar autossuficiente ainda muito novo. Não há livros de mágica escritos para mim”, disse ele em participação no documentário Our Magic.

Quando criança, ele nunca foi apresentado a ilusionistas, nem ao vivo e nem na televisão, mas ouviu histórias sobre mágicos que podiam fazer coisas que despertaram nele um interesse.

Apesar da sua falta de acesso ao conhecimento da área, uma vez que ele jamais havia lido livros sobre ou visitado lojas com materiais específicos para a prática, ele mostrava sinais do sonho em ser mágico desde o ensino médico, quando chegou a dizer para sua orientadora: “ainda não sou mágico, mas um diaserei“.

Mahdi usou a internet para pesquisar sobre referências, até encontrar David Blaine. Nesse momento, ele se desanimou por acreditar que não tinha condições de fazer o que o profissional fazia.

Esse aqui é o David Blaine. (Foto: Divulgação)

 

As pesquisas seguiram e ele conheceu Derren Brown, um ilusionista britânico que lhe mostrou que há mais na mágica do que membros perfeitos.

E esse é o Derren Brown. (Foto: Divulgação)

 

“Ele fazia as coisas usando a mente, falando com as pessoas, usando a memória, psicologia, hipnose e outras técnicas. Eu pensei ‘nossa, eu posso fazer algo assim’”, pensou Mahdi.

Ele começou a treinar sua memória e praticar truques com seus colegas, além de memorizar informações pessoais e passadas deles que descobriu no histórico escolar. Assim, em dado momento, ele os surpreendia ao falar de algo que não deveria saber, uma vez que seus colegas não se lembravam de ter falado com ele sobre aquilo.

No entanto, aos 16 anos, Mahdi decidiu mudar de técnica, deixando a mágica baseada em confusão mental e partindo para métodos mais físicos. Ele comprou algumas cartas e um livro com instruções e, secretamente, foi se aprimorando.

“Quando comecei, não tinha a menor ideia do que estava fazendo. Estava experimentando e descobrindo as coisas na tentativa e erro. Era uma evolução lenta. Eu não conseguia cortar o baralho sem derrubar um monte de cartas no chão“, lembrou.

Mahdi ficou famoso com o passar dos anos. (Foto: Reprodução)

 

Eventualmente, ele dominou a técnica e buscou manipular o carteado de formas mais complexas. Gilbert conheceu outros mágicos em feiras e lojas e sua reputação foi crescendo. Em março de 2010, ele marcou presença na Magic-Con, uma conferência especial de ilusionismo que ocorre em San Diego, onde diversos famosos do ramo, incluindo David Blaine, estavam presentes.

Rapidamente, Mahdi se tornou assunto no evento e sua reputação disparou. Sete anos depois, Gilbert aparece frequentemente em programas de TV e já fez shows em 18 países. Todos os mágicos que ele utilizou como referência no passado hoje sabem seu nome. Incluindo David Blaine, que o chama de “minha inspiração”.

Fonte: Hypeness, por João Vieira.

As Incríveis Próteses Que Mudam Vidas e Moldam o Futuro

Qual o futuro das próteses?

 

 

No final da Primeira Guerra Mundial, não havia escassez de amputados. Dos sete milhões de soldados em luta, 41.000 tiveram amputações em hospitais de campo ou instalações médicas atrás das linhas.

Membros protéticos existem há centenas de anos antes da Guerra, mas de repente o fluxo de amputações sobrecarregou os serviços médicos em todos os sentidos. E mesmo com o retorno da mobilidade rudimentar oferecida por uma perna protética, um sentimento permanecia entre os veteranos amputados: vergonha. Os soldados que retornavam às suas casa precisavam ser reintegrados, encontrar empregos, sustentar suas famílias. Muitos enquanto escondiam – da melhor maneira que conseguiam – suas próteses rudimentares ou até mesmo rejeitando-as em favor de bengalas ou muletas.

“Durante aquele período, as pessoas não queriam que ninguém soubesse que eram amputados”, diz Scott Schneider, Diretor de Desenvolvimento da Ottobock, um dos maiores fabricantes mundiais de próteses avançadas.

“Quando eu comecei nesse trabalho, via algumas pessoas entrarem pela porta dos fundos, porque não queriam que outras pessoas soubessem que eles iriam para uma fabricantes de próteses. Era muito secreto.”

O fundador da companhia, Otto Bock, enxergou essa lacuna no fornecimento e demanda de próteses após a Grande Guerra. No início do século 20, as próteses ainda eram primárias: reduzidas, amarradas ou forjadas para se adequarem aos amputados por artesãos. Bock tirou o melhor da “tecnologia” existente e colocou-a em produção em massa.

 

Quase 100 anos depois, seu atual modelo top de linha, o X3, ainda está ajudando soldados. Desenvolvido para veteranos que perderam as pernas acima do joelho, o X3 está equipado com microprocessadores e sensores que permitem que um soldado puxe um esquadrão de 80kg, fora de uma trincheira, andando de costas.

“Isso é bastante surpreendente quando você está fazendo isso com um ou dois joelhos protéticos”, diz Schneider.

Essa vergonha e estigma em torno de próteses está mudando. À medida que a tecnologia apoiada por militares (Ottobock trabalha em estreita colaboração com o Departamento de Defesa dos EUA) escorre no sistema de saúde civil e, à medida que mais e mais amputados veem substituições de membros em soldados e atletas de elite, a linha entre ‘capaz’ e ‘deficiente’ começa a se desfocar – para o usuário e o público não amputado. Ainda não há substituto verdadeiro para um membro perdido – mas suas substituições protéticas são agora funcionais e futuristas o suficiente para não se esconderem, e sim serem mostradas com orgulho.

“É muito individual e às vezes [se resume ao] tipo de amputação”, diz Schneider.

“[Mas] Eu acho que a melhor citação que já ouvi de um de nossos pacientes foi: ‘Não me importo de ser amputado, desde que não me sinta amputado’.

 

Da deficiência ao aprimoramento

 

Esses avanços em próteses levantam uma questão óbvia: quando os membros biônicos superarão os que estão substituindo? Quando – se alguma vez – vamos chegar ao ponto em que as próteses se tornam “melhorias” – melhorias desejáveis para pessoas não amputadas, não mais estranho do que um facelifting ou uma abdominoplastia?

“Em termos de tecnologia de próteses e como combinar as capacidades dos humanos, estamos muito longe”, diz Samantha Payne, fundadora e COO da Open Bionics.

“Mas, culturalmente, não estamos muito longe. Então, quando lançamos mãos do Homem de Ferro e Star Wars, trouxemos sorrisos e confiança aos usuários. Nós estávamos recebendo mensagens de pessoas que dizem: ‘Posso obter um? Eu tenho duas mãos, mas como posso conseguir um?’ E as pessoas estavam brincando na nossa página do Facebook, dizendo: ‘Estou disposto a remover meu membro para ter um desses’.”

“Para nós é bastante mórbido!”, diz Payne, rindo. “Mas acho que foi uma coisa realmente boa: mudamos a nossa conversa entre o público e sentimos pela primeira vez que ultrapassamos algo clínico. Não era uma conversa sobre deficiência, não era sobre ir ao hospital, não era sobre o conselho médico – era sobre ter algo que o fazia se destacar por um bom motivo. Isso faz você admirável. As pessoas querem ser você.”

Schneider, da Ottobock, concorda. Embora seu sonho seja um dia pular coisas altas ou tirar perfurar paredes, tal como um super-herói biônico, ainda pode haver esperança – para os amputados e não amputados.

“Eu acho que o próximo passo na tecnologia serão dispositivos assistidos”, diz ele.

“Eu palestrei em uma conferência de robótica em abril do ano passado e muitas dessas empresas estavam vendendo dispositivos em que os usuários apenas os vestiam, como um terno, e então isso os permitia levantar mais peso. Então não se trata sobre a substituição de um braço, mas sobre colocar um dispositivo nesse braço ou nas costas para poder trabalhar com mais resistência usando suas próprias mãos.

“Mais como um Homem de Ferro do que O Homem de Seis Milhões de Dólares,” conclui.

 

 

Fonte: Adaptado de Techradar

A nova vida das próteses

Coletivo de artistas aceita desafio de pintar muros e encaixes de próteses usadas por pessoas amputadas.

*Por Enio Lucciola

A desconcertante imagem de Usain Bolt de prótese, na visão de Fernando Brum

 

 

A imagem de Usain Bolt de prótese é desconcertante. Mesmo sem uma perna, o homem mais rápido do mundo mantém a pose do raio, que o celebrizou.

Recém aposentado das pistas na Olimpíada Rio 2016, o jamaicano recordista mundial de velocidade ressurgiu em muros da Vila Madalena, em São Paulo. E já impactou duplamente seus admiradores.

Primeiro, ao mostrar que a amputação de um membro, por doença ou acidente, pode acontecer com qualquer pessoa. Até com um semi-deus olímpico, dono de dezenas de medalhas de ouro e recordes mundiais dos 100, 200 e revezamento 4 x 100 metros. Depois, ao estimular, subliminarmente, cada portador de deficiência a superar seu limite – e a alcançar seu Olimpo pessoal.

A imagem do maior velocista de todos os tempos de prótese foi pintada no Centro Marian Weiss pelo artista Fernando Brum, ilustrador inspirado que foi chefe da infografia da revista Isto É.

Brum integra um coletivo de artistas plásticos, muralistas, desenhistas, grafiteiros e ícones da arte de rua, que receberam um desafio inédito: pintar, além dos muros, encaixes de próteses, dessas que são usadas pelos amputados.

 

Thaís Rodrigues e seu mural: mais colorido e harmonia na vida dos deficientes

 

Os artistas eram pouco familiarizados ao dia a dia de pessoas amputadas, que usam os encaixes na coxa, joelho ou canela para fixar as próteses que substituem suas pernas. Para os amputados, as próteses significam o início de uma nova vida. Fabricados em tons escuros e usados em geral debaixo de calças, saias ou bermudas, os encaixes pintados pelos artistas ganharam cores, beleza e vida. Alguns são decorados com flores, corações ou imagens abstratas permeadas de alegria e alto astral.

A ideia de convidar artistas para pintar encaixes de próteses surgiu de um encontro casual entre o diretor do Centro Marian Weiss, Ian Guedes, e a diretora da arte Thais Rodrigues. O tema escolhido foi “A vida inspira”.

Depois de uma semana de trabalho intenso, as obras ganharam forma nos encaixes e muros da Vila Madalena, bairro paulistano que concentra galerias de arte, grafite e arte de rua – lá fica o famoso Beco do Batman. Mas não foi uma tarefa fácil, reconhece a diretora de arte.

“A gente percebeu o quanto é carente de informação do universo dos amputados. Rolaram muitas emoções. Mas trouxe uma experiência de vida muito legal pra gente”, diz.

Satisfeita com a experiência de resignificação das próteses, Thais Rodrigues está engajada agora na proposta de levar o universo dos amputados a espaços de maior circulação e acesso do público.

 

Ladislau Souza Jr: beleza negra em país tropical

 

A natureza viva de Rafael Frenesi

 

Mergulho noturno: em plena madrugada, Mut ergue seu mural inspirado na vida marinha

Encaixe personalizado por Thais Rodrigues

Encaixe personalizado por Fernando Brum

Encaixe personalizado por Ladislau Souza Jr.

Encaixe personalizado por “Os GDV”

 

Encaixe personalizado por Rafael Frenesi

 

Encaixe personalizado por Mut

 

Artistas e o diretor do Centro Marian Weiss, Ian Guedes

 

 

Serviço: exposição “A vida inspira”

Local: Centro Marian Weiss – Vila Madalena

Artistas participantes: Fernando Brum, Mut, Os GDV, Ladislau Souza Jr, Rafael Frenesi e Thais Rodrigues

 

*Enio Lucciola é jornalista. Trabalhou nas emissoras Globo, SBT e Cultura. Foi chefe de Jornalismo da RedeTV.

Brasileiro disputa o circuito mundial de tênis adaptado para deficientes

 

Crédito: Divulgação

 

Houston (EUA), 04 de dezembro de 2017 – O brasileiro Roberto Souza disputará a primeira etapa do maior evento de tênis adaptado em pé, o TAP World Tour. O campeonato, voltado para jogadores que possuem algum tipo de deficiência física, será realizado na cidade Houston, no Texas (EUA), entre os dias 8 e 10 de dezembro. O atleta terá o apoio da Secretaria Estadual de Esporte e Lazer do Paraná, da Confederação Brasileira de Tênis e da Federação Paraense de Tênis.

O tênis adaptado em pé é uma das formas de se praticar tênis, voltado para pessoas com diferentes tipos de deficiências, mas que consigam jogar em pé. É o caso de pessoas amputadas, hemiplégicos, com má formação congênita, dentre outros casos.

O TAP World Tour foi criado em 2015, no Chile. Na época, participaram 32 atletas de diversos países, como México, Peru, Chile e Argentina, competindo em diferentes categorias. Desde então, novos países começaram a participar do evento, que já recebem competidores dos Estados Unidos, África do Sul, Portugal, Austrália, etc.

O número de brasileiros a competir ainda é pouco expressivo, mas participar de um evento mundial como o TAP World Tour pode ser importante para que outras pessoas que praticam o esporte se sintam motivadas a competir. É o que acredita Roberto Souza. “A ideia de ir ao torneio é jogar luz nessa categoria para que outras pessoas se juntem a nós e assim possamos fazer um circuito brasileiro e competir fora, com outras pessoas, de igual para igual”, explicou.

O empresário Roberto Souza sempre praticou muitos esportes, o que foi interrompido por causa de um acidente que avião, em 2013, que resultou na falta de mobilidade permanente do pé esquerdo, além de dores crônicas. Pouco mais de dois anos depois, sem perspectivas de se recuperar, decidiu fazer a amputação.

A prótese que colocou em seguida representou a esperança de voltar a praticar esportes. “O tênis, assim como os outros esportes, foi motivador na minha recuperação. Quando eu pensei que podia competir, ele me deu esse extra que eu não tinha”, conta Roberto Souza. A ideia de compartilhar essa recuperação com outras pessoas, assim como ajudar a quem estava passando pela mesma situação, deu início a um projeto nas redes sociais. Batizado de Mais Um Passo, o projeto de Roberto também apresenta outras histórias inspiradoras e notícias de interesse para quem tem algum tipo de deficiência física ou história de superação. O Mais Um Passo, assim como voltar a praticar esportes, foi fundamental na recuperação do atleta.

Agora, a expectativa para o TAP World Tour é a melhor possível. Vai ser a primeira vez que o atleta irá participar de uma competição desse nível. “Tô indo com o apoio da Confederação Brasileira de Tênis e da Federação Paraense de Tênis e a Secretaria de Esporte e Lazer do Pará, então tô bem empolgado. Eu vou pra fazer o meu melhor e, se der tudo certo, eu volto de lá pelo menos com uma medalha ou com um monte de amigos.”

 

A Confederação Brasileira de Tênis tem o patrocínio dos Correios e o co-patrocínio da Wilson, da Peugeot e Companion SPORTS. Apoio do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e Ministério do Esporte. Siga tudo sobre a CBT em www.cbtenis.com.brwww.facebook.com/cbtoficialwww.twitter.com/cbtenis,www.instagram.com/cbtoficial e www.flickr.com/cbtenis

 

Fonte: Confederação Brasileira de Tênis

Mãe faz fantasias incríveis de Halloween para sua filha que teve o braço amputado

 

Scarlette nasceu em dezembro de 2013 com um braço esquerdo muito grande. Ela foi enviada para um hospital para diversos testes com médicos especializados. Levou cinco meses para obter o diagnóstico final: um tipo raro de câncer.

Ela fez cinco meses de quimioterapia, e embora conseguiu com que os seus tumores parassem de crescer, eles não desapareceram.

Então, uma decisão foi feita: em 30 de outubro de 2014, ela teve o seu braço amputado. Eles a consideraram livre do câncer, mas precisou passar por 21 cirurgias em dois anos.

 

 

“Eu sempre quis fazê-la sentir-se especial apesar do fato de ela sempre ser considerada como ‘diferente’. Eu fiz brinquedos de pelúcia de crochê para ela sem um braço e eu altero todas as suas roupas para que elas se encaixem corretamente. Em 2015, adotamos uma gatinha incrível que também teve o braço amputado! O Dia das Bruxas foi apenas outra maneira perfeita de mostrar a ela que ela é única e incrível do jeito que ela é!”, contou a mãe.

Scarlette perdeu seu primeiro Dia das Bruxas por causa de sua amputação, então sua mãe queria ter certeza de que ela teria Halloweens surpreendentes depois disso. Ela começou a pensar em ideias para fazer algo especial para ela.

Na primeira comemoração, ela foi uma bonequinha assustadora.

 

No ano seguinte, sua mãe a levou para uma loja de Halloween e deixou-a escolher o que quisesse. A garotinha escolheu um vestido de esqueleto. Então, sua mãe alterou o vestido e depois fez um braço de esqueleto com ossos de plástico. Ela adorou e carrega o braço até hoje.

 

Este ano, sua mãe queria fazer algo especial e que ela ainda pudesse brincar depois do Dia das Bruxas. Ela levou a garotinha para uma loja de tecidos, onde ela escolheu todo o material e  a mãe começou o trabalho.

“Eu fiz pra ela um chapéu feito de um boné de beisebol velho, papelão e tinta. Eu adicionei penas e uma rosa negra e agora ela tem um crânio de corvo reutilizável. Ela adora. Ela está animada para vesti-lo o tempo todo depois do Dia das Bruxas!”, contou.

 

 

“Eu queria ensinar pra ela desde agora que ela é especial e única, não ‘apesar’ da sua diferença, mas por causa dela. Ela entende que ela teve câncer e que para ser saudável novamente, ela precisava perder o braço. Ela gosta de dizer às pessoas coisas como, ‘eu deixei na máquina de lavar louça’.Ela é descarada e não tem problema em falar com outras crianças e adultos sobre isso”, conta a mãe

“É tão importante para nós mostrar para as pessoas o amor e a felicidade que irradiam dessa garotinha. Quando você a conhece, você não pode deixar de sorrir e se encher de alegria. Com tudo o que seu corpo minúsculo passou, ela ainda está amando a vida, cantando como se ninguém estivesse ouvindo e dançando como se ninguém estivesse olhando”, concluiu.

 

A garotinha adorável também possui sua própria página no Facebook e você pode ajudá-la através desse link.

 

Fonte: Love What Matters / Razões para Acreditar

O melhor lugar para a pessoa com deficiência fazer turismo

*Por Enio Lucciola

Imagem: William Gomes. Obra “Desvio para o vermelho”, de Cildo Meireles.

 

Esqueça o passaporte. Não perca tempo com visto de turista, nem com cursinho de línguas de última hora. Afinal, o melhor lugar para o deficiente físico fazer turismo fica aqui mesmo, no Brasil. Mais precisamente, em Brumadinho, pequeno município de 38 mil habitantes, na Grande BH.

É lá que foi aberto, em 2006, o Inhotim, um parque de 140 hectares que abriga, ao mesmo tempo, o maior museu a céu aberto do mundo e o mais completo jardim botânico brasileiro, em variedade de espécies.

Você passeia à sombra das árvores, entre nascentes, pontes e  jardins, e conhece um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do mundo.

Imagem: Marcelo Coelho. Galeria Adriana Varejão.

 

É uma surpresa atrás da outra. No meio de uma trilha na mata, você topa com uma construção imensa em forma de cristal lapidado. Lá dentro um trator gigante, enlameado, arranca uma árvore do solo, a incrível obra do americano Mathew Barney, de 2009, é ainda um atualíssimo brado de alerta contra a destruição da natureza pelo homem.

Fui duas vezes ao Inhotim, uma delas depois do acidente que me levou à amputação da perna esquerda. Mais que qualquer peça de arte ou arquitetura, o que me impressionou foi a forma acolhedora e profissional como são recebidos os deficientes.

Vai muito além do obrigatório: entradas, saídas e banheiros acessíveis, elevadores, rampas e sinalização em todas as construções que abrigam as coleções.

Logo na entrada, o deficiente é convidado para um tour gratuito de 50 minutos pelas principais obras e paisagens, num carrinho elétrico. Com direito a acompanhante e sem nenhum custo adicional.

 Imagem: Daniela Paoliello. Tamboril.

 

O carrinho é pilotado por uma monitora que fala com desenvoltura sobre as obras e seus autores, e nos ajuda a escolher o melhor roteiro de visita.

Ao final, ainda sem botar a mão no bolso, recebemos uma pulseira que dá acesso às oito linhas de carrinhos que conectam as diversas galerias e pavilhões de exposição.

Tem mais. Se o deficiente está num lugar isolado ou precisa ir a outra linha distante, pode pedir ajuda a um monitor, que acionará o carrinho mais próximo.

Eu estava de muletas. O parque empresta cadeiras de rodas. Se o deficiente traz a sua, um dos carrinhos elétricos vai transportá-la até o local desejado.

Ou seja, o Inhotim nos ajuda a vencer todas as dificuldades de locomoção, que poderiam atrapalhar e, no limite, impedir a visita.

Essa política de tratar os deficientes com respeito – e atenção aos detalhes – é um modelo a ser seguido. O turismo representa 3,5% do PIB brasileiro. Se almeja crescer sua participação e chegar aos 9% que atividade ocupa na economia mundial, o setor deve abrir os olhos e os braços para receber bem os deficientes. Uma turma ainda pouco notada, que merece mais visibilidade. Já somos 46 milhões de brasileiros – ou 24% da população contada pelo Censo de 2010.

Imagem: William Gomes. Vandário com 500 orquídeas.

Imagem: Arquivo pessoal.

Imagem: Arquivo pessoal.

 

*Enio Lucciola é jornalista. Trabalhou nas emissoras Globo, SBT e Cultura. Foi chefe de Jornalismo da RedeTV.

 

MODELO AMPUTADA QUEBRA BARREIRAS NA INDÚSTRIA DA MODA

Shaholly Ayers nasceu sem o antebraço direito, mas isso nunca a impediu de sonhar em ser uma modelo. Hoje, aos 31 anos, ela tomou o mundo da moda por tempestade, aparecendo em inúmeras revistas e catálogos, como embaixadora da Global Disability Inclusion e também como a primeira amputada a desfilar na New York Fashion Week sem o uso da prótese.

“Quando criança, não sabia que eu era diferente”, diz Ayers. “Eu tinha 3 anos quando escutei pela primeira vez a palavra “deficiência”. Mesmo assim, ela não percebeu o que a palavra realmente significava até a terceira série. “Foi quando eu comecei a me sentir intimidada e apontada por ser diferente (…) o que persistiu até o ensino médio”.

Durante anos, Ayers lutou para lidar com o fato que as pessoas não a tratavam bem simplesmente por sua deficiência. Naquela época, não havia nada que ela não fizesse para mudar a percepção dessas pessoas. “Eu me lembro de estar na sala de aula pensando sobre o fato de ser diferente, já que naquele tempo não havia nenhuma Amy Purdy (paratleta) no mundo – ou ao menos eles não eram exibidos – e isso fez com que eu me sentisse uma completa estranha.”

“Todos apontavam para mim, dos meus colegas de classe aos professores, o que fazia eu me sentir horrível, mesmo sabendo que não era, e foi naquele momento que pensei: ‘O que eu posso fazer fazer para mudar a mente das pessoas sobre a deficiência?’, e eu sabia que tinha que ser algo visual.”

Essa foi a primeira vez que ela pensou em ser modelo, mas foi apenas anos mais tarde que ela começou a atuar no ramo.

“Eu tinha 19 anos quando eu finalmente tive coragem de entrar em uma agência de modelo. Mas logo na primeira vez me disseram que eu nunca entraria na indústria sendo amputada.”

Catálogo da Nordstrom, onde tudo começou

A primeira rejeição a machucou, mas deu a força necessária para Ayers seguir em frente. “Aquele (a rejeição) foi um grande momento para mim porque eu soube que tinha que continuar a tentar, para provar a eles e a todos os outros que duvidaram de mim que eles estavam errados.” E foi exatamente o que ela fez.

Após anos tentando entrar na indústria da moda, ela teve sua grande oportunidade ao estampar o catálogo de aniversário da Nordstrom (conhecida rede americana de artigos de luxo). “Eu sou tão grata de ter essa oportunidade incrível que é trabalhar com a Nordstrom. Eles sempre me chamam para ilustrar suas campanhas e isso me mostra o quão dedicados em investir na diversidade.”

Ayers acabou de aparecer no seu terceiro catálogo da rede usando, pela primeira vez, sua prótese.

Enquanto é maravilhoso ver uma grande marca como Nordstrom trazendo uma modelo amputada, Ayers nota que a rede é uma de poucas a fazer um esforço genuíno rumo à mudança. “A Nordstrom é a pioneira, mas o objetivo é que outras empresas sigam o exemplo.”

Ayers espera que à medida que a diversidade e a representação no mundo da moda aumentem, as pessoas – deficientes ou não – sejam mais aceitas com suas imperfeições e diferenças. “Todos nós nos sentimos como estranhos em algum momento de nossas vidas, mas por mais difícil que seja viver como nossas diferenças, aprendi que é sempre melhor abraçá-las e não me envergonhar.”

“É uma jornada para chegar ao ponto em que você está confortável em sua pele. Mas continue trabalhando nisso e você vai chegar lá”.

Fonte: Shape