As Incríveis Próteses Que Mudam Vidas e Moldam o Futuro

Qual o futuro das próteses?

 

 

No final da Primeira Guerra Mundial, não havia escassez de amputados. Dos sete milhões de soldados em luta, 41.000 tiveram amputações em hospitais de campo ou instalações médicas atrás das linhas.

Membros protéticos existem há centenas de anos antes da Guerra, mas de repente o fluxo de amputações sobrecarregou os serviços médicos em todos os sentidos. E mesmo com o retorno da mobilidade rudimentar oferecida por uma perna protética, um sentimento permanecia entre os veteranos amputados: vergonha. Os soldados que retornavam às suas casa precisavam ser reintegrados, encontrar empregos, sustentar suas famílias. Muitos enquanto escondiam – da melhor maneira que conseguiam – suas próteses rudimentares ou até mesmo rejeitando-as em favor de bengalas ou muletas.

“Durante aquele período, as pessoas não queriam que ninguém soubesse que eram amputados”, diz Scott Schneider, Diretor de Desenvolvimento da Ottobock, um dos maiores fabricantes mundiais de próteses avançadas.

“Quando eu comecei nesse trabalho, via algumas pessoas entrarem pela porta dos fundos, porque não queriam que outras pessoas soubessem que eles iriam para uma fabricantes de próteses. Era muito secreto.”

O fundador da companhia, Otto Bock, enxergou essa lacuna no fornecimento e demanda de próteses após a Grande Guerra. No início do século 20, as próteses ainda eram primárias: reduzidas, amarradas ou forjadas para se adequarem aos amputados por artesãos. Bock tirou o melhor da “tecnologia” existente e colocou-a em produção em massa.

 

Quase 100 anos depois, seu atual modelo top de linha, o X3, ainda está ajudando soldados. Desenvolvido para veteranos que perderam as pernas acima do joelho, o X3 está equipado com microprocessadores e sensores que permitem que um soldado puxe um esquadrão de 80kg, fora de uma trincheira, andando de costas.

“Isso é bastante surpreendente quando você está fazendo isso com um ou dois joelhos protéticos”, diz Schneider.

Essa vergonha e estigma em torno de próteses está mudando. À medida que a tecnologia apoiada por militares (Ottobock trabalha em estreita colaboração com o Departamento de Defesa dos EUA) escorre no sistema de saúde civil e, à medida que mais e mais amputados veem substituições de membros em soldados e atletas de elite, a linha entre ‘capaz’ e ‘deficiente’ começa a se desfocar – para o usuário e o público não amputado. Ainda não há substituto verdadeiro para um membro perdido – mas suas substituições protéticas são agora funcionais e futuristas o suficiente para não se esconderem, e sim serem mostradas com orgulho.

“É muito individual e às vezes [se resume ao] tipo de amputação”, diz Schneider.

“[Mas] Eu acho que a melhor citação que já ouvi de um de nossos pacientes foi: ‘Não me importo de ser amputado, desde que não me sinta amputado’.

 

Da deficiência ao aprimoramento

 

Esses avanços em próteses levantam uma questão óbvia: quando os membros biônicos superarão os que estão substituindo? Quando – se alguma vez – vamos chegar ao ponto em que as próteses se tornam “melhorias” – melhorias desejáveis para pessoas não amputadas, não mais estranho do que um facelifting ou uma abdominoplastia?

“Em termos de tecnologia de próteses e como combinar as capacidades dos humanos, estamos muito longe”, diz Samantha Payne, fundadora e COO da Open Bionics.

“Mas, culturalmente, não estamos muito longe. Então, quando lançamos mãos do Homem de Ferro e Star Wars, trouxemos sorrisos e confiança aos usuários. Nós estávamos recebendo mensagens de pessoas que dizem: ‘Posso obter um? Eu tenho duas mãos, mas como posso conseguir um?’ E as pessoas estavam brincando na nossa página do Facebook, dizendo: ‘Estou disposto a remover meu membro para ter um desses’.”

“Para nós é bastante mórbido!”, diz Payne, rindo. “Mas acho que foi uma coisa realmente boa: mudamos a nossa conversa entre o público e sentimos pela primeira vez que ultrapassamos algo clínico. Não era uma conversa sobre deficiência, não era sobre ir ao hospital, não era sobre o conselho médico – era sobre ter algo que o fazia se destacar por um bom motivo. Isso faz você admirável. As pessoas querem ser você.”

Schneider, da Ottobock, concorda. Embora seu sonho seja um dia pular coisas altas ou tirar perfurar paredes, tal como um super-herói biônico, ainda pode haver esperança – para os amputados e não amputados.

“Eu acho que o próximo passo na tecnologia serão dispositivos assistidos”, diz ele.

“Eu palestrei em uma conferência de robótica em abril do ano passado e muitas dessas empresas estavam vendendo dispositivos em que os usuários apenas os vestiam, como um terno, e então isso os permitia levantar mais peso. Então não se trata sobre a substituição de um braço, mas sobre colocar um dispositivo nesse braço ou nas costas para poder trabalhar com mais resistência usando suas próprias mãos.

“Mais como um Homem de Ferro do que O Homem de Seis Milhões de Dólares,” conclui.

 

 

Fonte: Adaptado de Techradar