Ilusionista com deficiência mostra que não é com as mãos que se faz mágicas

Mahdi Gilbert, um canadense de 25 anos que está começando a ganhar espaço no mundo dos ilusionistas, é um especialista em manipulação de cartas e truques com as mãos. Só que há um detalhe que o diferencia dos outros.

Mahdi Gilbert tem 25 anos. (Foto: Reprodução)

 

Mahdi é portador de necessidades especiais e não possui as mãos. Por isso, para seguir a carreira de mágico, ele teve que adaptar todas as técnicas que conheceu para sua condição, recriando-as e tornando-as mais interessantes e originais.

“Tive que me tornar autossuficiente ainda muito novo. Não há livros de mágica escritos para mim”, disse ele em participação no documentário Our Magic.

Quando criança, ele nunca foi apresentado a ilusionistas, nem ao vivo e nem na televisão, mas ouviu histórias sobre mágicos que podiam fazer coisas que despertaram nele um interesse.

Apesar da sua falta de acesso ao conhecimento da área, uma vez que ele jamais havia lido livros sobre ou visitado lojas com materiais específicos para a prática, ele mostrava sinais do sonho em ser mágico desde o ensino médico, quando chegou a dizer para sua orientadora: “ainda não sou mágico, mas um diaserei“.

Mahdi usou a internet para pesquisar sobre referências, até encontrar David Blaine. Nesse momento, ele se desanimou por acreditar que não tinha condições de fazer o que o profissional fazia.

Esse aqui é o David Blaine. (Foto: Divulgação)

 

As pesquisas seguiram e ele conheceu Derren Brown, um ilusionista britânico que lhe mostrou que há mais na mágica do que membros perfeitos.

E esse é o Derren Brown. (Foto: Divulgação)

 

“Ele fazia as coisas usando a mente, falando com as pessoas, usando a memória, psicologia, hipnose e outras técnicas. Eu pensei ‘nossa, eu posso fazer algo assim’”, pensou Mahdi.

Ele começou a treinar sua memória e praticar truques com seus colegas, além de memorizar informações pessoais e passadas deles que descobriu no histórico escolar. Assim, em dado momento, ele os surpreendia ao falar de algo que não deveria saber, uma vez que seus colegas não se lembravam de ter falado com ele sobre aquilo.

No entanto, aos 16 anos, Mahdi decidiu mudar de técnica, deixando a mágica baseada em confusão mental e partindo para métodos mais físicos. Ele comprou algumas cartas e um livro com instruções e, secretamente, foi se aprimorando.

“Quando comecei, não tinha a menor ideia do que estava fazendo. Estava experimentando e descobrindo as coisas na tentativa e erro. Era uma evolução lenta. Eu não conseguia cortar o baralho sem derrubar um monte de cartas no chão“, lembrou.

Mahdi ficou famoso com o passar dos anos. (Foto: Reprodução)

 

Eventualmente, ele dominou a técnica e buscou manipular o carteado de formas mais complexas. Gilbert conheceu outros mágicos em feiras e lojas e sua reputação foi crescendo. Em março de 2010, ele marcou presença na Magic-Con, uma conferência especial de ilusionismo que ocorre em San Diego, onde diversos famosos do ramo, incluindo David Blaine, estavam presentes.

Rapidamente, Mahdi se tornou assunto no evento e sua reputação disparou. Sete anos depois, Gilbert aparece frequentemente em programas de TV e já fez shows em 18 países. Todos os mágicos que ele utilizou como referência no passado hoje sabem seu nome. Incluindo David Blaine, que o chama de “minha inspiração”.

Fonte: Hypeness, por João Vieira.