MODELO AMPUTADA QUEBRA BARREIRAS NA INDÚSTRIA DA MODA

Shaholly Ayers nasceu sem o antebraço direito, mas isso nunca a impediu de sonhar em ser uma modelo. Hoje, aos 31 anos, ela tomou o mundo da moda por tempestade, aparecendo em inúmeras revistas e catálogos, como embaixadora da Global Disability Inclusion e também como a primeira amputada a desfilar na New York Fashion Week sem o uso da prótese.

“Quando criança, não sabia que eu era diferente”, diz Ayers. “Eu tinha 3 anos quando escutei pela primeira vez a palavra “deficiência”. Mesmo assim, ela não percebeu o que a palavra realmente significava até a terceira série. “Foi quando eu comecei a me sentir intimidada e apontada por ser diferente (…) o que persistiu até o ensino médio”.

Durante anos, Ayers lutou para lidar com o fato que as pessoas não a tratavam bem simplesmente por sua deficiência. Naquela época, não havia nada que ela não fizesse para mudar a percepção dessas pessoas. “Eu me lembro de estar na sala de aula pensando sobre o fato de ser diferente, já que naquele tempo não havia nenhuma Amy Purdy (paratleta) no mundo – ou ao menos eles não eram exibidos – e isso fez com que eu me sentisse uma completa estranha.”

“Todos apontavam para mim, dos meus colegas de classe aos professores, o que fazia eu me sentir horrível, mesmo sabendo que não era, e foi naquele momento que pensei: ‘O que eu posso fazer fazer para mudar a mente das pessoas sobre a deficiência?’, e eu sabia que tinha que ser algo visual.”

Essa foi a primeira vez que ela pensou em ser modelo, mas foi apenas anos mais tarde que ela começou a atuar no ramo.

“Eu tinha 19 anos quando eu finalmente tive coragem de entrar em uma agência de modelo. Mas logo na primeira vez me disseram que eu nunca entraria na indústria sendo amputada.”

Catálogo da Nordstrom, onde tudo começou

A primeira rejeição a machucou, mas deu a força necessária para Ayers seguir em frente. “Aquele (a rejeição) foi um grande momento para mim porque eu soube que tinha que continuar a tentar, para provar a eles e a todos os outros que duvidaram de mim que eles estavam errados.” E foi exatamente o que ela fez.

Após anos tentando entrar na indústria da moda, ela teve sua grande oportunidade ao estampar o catálogo de aniversário da Nordstrom (conhecida rede americana de artigos de luxo). “Eu sou tão grata de ter essa oportunidade incrível que é trabalhar com a Nordstrom. Eles sempre me chamam para ilustrar suas campanhas e isso me mostra o quão dedicados em investir na diversidade.”

Ayers acabou de aparecer no seu terceiro catálogo da rede usando, pela primeira vez, sua prótese.

Enquanto é maravilhoso ver uma grande marca como Nordstrom trazendo uma modelo amputada, Ayers nota que a rede é uma de poucas a fazer um esforço genuíno rumo à mudança. “A Nordstrom é a pioneira, mas o objetivo é que outras empresas sigam o exemplo.”

Ayers espera que à medida que a diversidade e a representação no mundo da moda aumentem, as pessoas – deficientes ou não – sejam mais aceitas com suas imperfeições e diferenças. “Todos nós nos sentimos como estranhos em algum momento de nossas vidas, mas por mais difícil que seja viver como nossas diferenças, aprendi que é sempre melhor abraçá-las e não me envergonhar.”

“É uma jornada para chegar ao ponto em que você está confortável em sua pele. Mas continue trabalhando nisso e você vai chegar lá”.

Fonte: Shape